22/06/2009

PERDOANDO UMA TRAIÇÃO

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Per-doar
...Aprendi outro dia que perdoar é a junção de “per” com “doar”.
Doar é mais do que dar.
Doar é a entrega total do outro.
O prefixo “per” que tem várias acepções indica movimento no sentido “de” ou em “direção” a ou “através” ou “para” etimologicamente falando, portanto, perdoar, quer dizer doar ao outro a possibilidade que ele possa amar, possa doar-se.
Não apenas quem perdoa que se “doa através do outro”.
Perdoar implica abrir possibilidades de amor para quem foi perdoado, através da doação oferecida por quem foi agravado.
Perdoar é a única forma de facilitar ao outro a própria salvação.
Doar é mais do que dar: é a entrega total...
Perdoar é doar o amor. É permitir que a pessoa objeto do perdão possa também devolver um amor que, até então, só negara...
Autor Desconhecido

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“Pode-se perdoar, mas esquecer, isso, é impossível”.

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“Aquele que não consegue perdoar aos outros, destrói a ponte por onde irá passar”.
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A relação extraconjugal nos desperta para a realidade. Felizmente, também é um convite a uma nova tentativa. É bom ter em mente que, em princípio, tudo pode ser perdoado. Mas é claro que isso exige que cada um dos parceiros flexibilize seus limites pessoais e esqueça palavras como “nunca” ou “sempre”. Para perdoar de verdade, o parceiro deve abrir mão de preconceitos e idéias empoeiradas. Não há nada que não possa ser perdoado, nem mesmo o assassinato de crianças vítimas das atrocidades do Holocausto.

Perdoar é dizer à pessoa que o ofendeu que você, parceiro traído, já não sofre mais. Talvez a maior das dores existentes em um relacionamento conjugal seja provocada por uma traição, mas até mesmo ofensas menores pode ser uma ameaça, a menos que sejam perdoadas. O que acontece é que algumas pessoas têm mais facilidade para perdoar do que outras. Quando uma pessoa não faz parte desse grupo de pessoas super flexíveis,(no qual eu me incluía) deve considerar o perdão como um desafio e seguir em frente. E, em matéria de perdão, quanto maior o esforço, maior o ganho.

Perdoar é verbo pouco conjugado no contexto de nossa cultura narcisista movida à competição, ao imediatismo, a efemeridade, à mania de grandeza, à banalização de valores, à desconsideração da importância dos outros. Perdoar tornou-se, valor obsoleto, coisa de gente fraca, de gente que não tem perspectivas, no estilo dessa cultura hedonista pela mania de revidar, do olho por olho, de ser vencedor, de ter que sobrepujar, de passar por cima e de está sempre por cima!!! de destituir o outro, de ser herói!

Perdoar é “fazer uma escolha consciente de eximir a pessoa que nos magoou da sentença do nosso julgamento, por mais justificável que esse julgamento possa ser”. Representa a escolha de deixar para trás o ressentimento e o desejo de punição, por mais justa que possa ser a pena (...); não que a ferida em si possa ser esquecida por completo, mas o poder que ela tem de nos manter aprisionado num contínuo repassar do evento, com todo o ressentimento que cada lembrança traz à tona é quebrado. Além disso, sem de nenhuma forma mitigar a seriedade da ofensa, o perdão envolve desobrigar alguém das conseqüências punitivas que merece sofrer por seu comportamento. O comportamento permanece condenado, mas o ofensor é dispensado dos seus efeitos no que concerne ao sujeito que perdoa.

O perdão não significa achar que o que aconteceu estava certo.O perdão é um ato de criação. O parceiro magoado pela traição pode escolher entre muitas formas de proceder. Pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar, mas não dá outra chance – começar tudo de novo se acontecer outro incidente. Pode ainda dar só mais uma chance, dar mais algumas chances, dar chances só se... Pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente. Pode, inclusive, imaginar um perdão abrangente. O parceiro traído é quem decidirá.

Como foi visto anteriormente se você deseja pavimentar o caminho de um perdão sincero, você não pode varrer o que aconteceu para debaixo do tapete. Você precisa que o seu parceiro entenda a sua dor, sinta remorso, peça desculpas e demonstre um comprometimento de reconstruir o relacionamento. Para curar-se, você precisa perdoar, mas é seu parceiro que deve aplicar o bálsamo nas suas feridas, primeiro.

“Perdão e reconciliação não são sinônimos. Perdão antecede, mas não garante reconciliação” Perdão não é sinônimo de esquecimento. O perdão não é um ato puro, de completa abnegação, mas parte de um processo lento e cumulativo que se inicia quando você divide a sua dor depois da revelação do caso, e desenrola-se à medida que você passa por experiências corretivas que reconstruam a confiança e a intimidade. É uma oferenda que deve ser conquistada, gradualmente, dia após dia.

O perdão, assim como o amor maduro, permite a existência simultânea de sentimentos conflitantes, a integração do ódio e do amor. Quando você perdoa, os sentimentos positivos não substituem os sentimentos negativos; eles passam a coexistir. O seu ressentimento permanece, mas relativizado pela percepção de que o parceiro infiel não foi tão imperfeito e nem o parceiro traído foi tão inocente. Mesmo que haja uma total dedicação ao perdão, é necessário frisar que a raiva pode surgir de vez em quando. E é preciso ter espaço para a raiva dentro de todo relacionamento saudável e, sobretudo tempo!

Ao perdoar, o parceiro traído põe o caso num contexto mais amplo da sua vida com o parceiro e passa a encarar a traição como um capítulo infeliz na vida do casal, mas não o todo. O parceiro magoado passa assim a ver que o seu parceiro é mais do que um traidor, é um ser humano passível de erros e que merece uma segunda chance.

Perdoar não é sinal de fraqueza, é conseqüência natural do fato de que não somos perfeitos. Se errarmos é natural que peçamos desculpas. Se outros erram, é natural que os desculpemos ,é necessário frisar que a raiva pode surgir de vez em quando. E é preciso ter espaço para a raiva dentro de todo relacionamento saudável e, sobretudo tempo! Pois, sentimentos humanos não são como torneiras que se abrem e fecham de acordo com o desejo; não estão sob controle absoluto de quem os experimenta. Ainda que alguém queira muito se livrar de sentimentos desagradáveis, como os causados pela infidelidade, e ainda que os estímulos que os provocaram não existam mais, há um tempo necessários para que esmaeçam gradualmente, desbotando até desaparecer e dar lugar a outros.

Quanto mais intensos e dolorosos esses sentimentos, mais demoram a desaparecer. Como vários outros ditos populares, é sábio o ditado segundo o qual “o tempo é o melhor remédio”; o tempo e, também o trabalho realizado durante esse tempo. No caso dos casais que decidem retomar a relação, após uma traição, esse trabalho inclui a comunicação, a verdade, a aceitação, a compreensão, a paciência e, se necessário, o perdão. “Quantos anos?”, poderia alguém perguntar, aflita sem saber quanto tempo irá durar sua dor. É impossível responder a esta pergunta. Há, no entanto, uma parábola de autor desconhecido resumida a seguir e que tenta respondê-la.

Segundo a parábola, uma pessoa deseja ter um viçoso bambuzal e lança à terra as sementes do bambu-chinês. Durante anos espera pelo seu desabrochar e nada acontece, quer dizer, nada que ela possa ver. Mas, durante cinco anos, uma raiz maciça e fibrosa está sendo construída horizontalmente, paralela à superfície da terra. Nesse período, todo seu crescimento é subterrâneo, invisível aos olhos de quem o plantou. Então, no final do quinto ano, um diminuto broto rompe a terra, e partir do bulbo, cresce rapidamente até atingir a altura de vinte e cinco metros.

Como uma analogia à vida humana, a parábola nos ensina que muitos dos processos de mudança e crescimento ocorrem dessa maneira: trabalhamos e investimos um longo tempo sem percebermos qualquer resultado externo.

Enquanto isso, um rico processo ocorre internamente, subterraneamente, invisível aos nossos olhos. Se tivermos a paciência e a capacidade de esperar enquanto continuamos nos esforçando, nosso quinto ano chegará – ou quinto mês, ou terceiro ano, ou sétimo ano, não importa o tempo em que o “quinto ano” chegará.

Nosso trabalho e nosso esforço poderão ser recompensados com um bambuzal de vinte e cinco metros de comprimento, com a mudança e o crescimento que buscamos pelo tempo que foi necessário. As pessoas precisam, para adotar seus valores, de tempo para vivenciar alguns, questioná-los, pensar sobre eles e finalmente adotá-los criticamente. A rapidez e a fluidez das experiências do mundo atual não facilitam essa explicitação clara de preceitos e comportamentos norteadores, devidamente vivenciados e valorizados, deixando-nos em um desamparo de valores.

Na vida, os danos psicológicos nunca saram ou desaparecem por completo, nem são substituídos por sentimentos positivos como num passe de mágica. Quer você seja o parceiro magoado ou infiel, a lembrança de como você se decepcionou com o seu parceiro tende a fazer você estremecer, mesmo daqui a vários anos. Achar que é possível recomeçar do zero como se nada houvesse acontecido, é um convite à total desilusão.

Quando se trata de perdoar o(a) seu, ou sua parceiro(a), você também pode sentir-se extremamente sobrecarregado (a). “Vai levar a vida toda”, insiste você. “Talvez mais”. E é precisamente isso. O processo do perdão desdobra-se com extrema lentidão e continua por todo o seu relacionamento. Não há ponto final, nem um momento em que vocês possam retirar o escafandro e dizer: “Podemos parar de lembrar-nos e dar o nosso trabalho por encerrado.” Parafraseando Kafka diria: "o momento decisivo do desenvolvimento humano é contínuo". Talvez agora você possa perdoar dez por cento do que o seu parceiro fez, e talvez à medida que vocês dois reconstruam seu relacionamento, você consiga perdoar mais oitenta por cento, e nunca mais do que isso.

E está bem. “A resolução do trauma nunca é final; a recuperação nunca é completa.” Lembre-se, você, parceiro traído, não é necessariamente uma boa pessoa somente se você desculpa totalmente; você não é necessariamente ruim se não consegue. Você só pode conceder o que puder e o que o seu parceiro merecer.



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