Mira y Lopez

Algumas pessoas que, depois dos quarenta anos, têm desejos sexuais, podem até se sentir envergonhadas devido ao tabu da sexualidade, o que as leva a acreditar que seriam ridicularizadas se admitissem seus desejos e, especialmente se os satisfizessem. Portanto, o “mito da velhice assexuada” está não só entre os jovens como também entre os próprios idosos.
Esses valores culturais nos são impostos desde o começo da vida, pois já na infância somos obrigados a acreditar que quando ficarmos velhos teremos de nos conformar com o fim da nossa sexualidade. O papel das mulheres, por exemplo, ensinadas e condenadas durante séculos a serem submissas, sem iniciativa, tinham seu destino traçado ao nascer: casar-se, engravidar e tomar conta da casa. Não se admitia que tivessem desejos próprios, pudessem participar ativamente da vida sociocultural, escolhessem como viver sua vida e, sobretudo vivenciar sua sexualidade.
A mulher, então, tinha a sexualidade diretamente relacionada à maternidade e não ao prazer sexual. A mulher era valorizada apenas pela sua capacidade de procriação. Podemos aqui traçar um paralelo: se a valorização é dada pela reprodução, cessando essa capacidade vem à desvalorização, o desprestígio e parece que isso se perpetuou até nossos dias. Originando um dos mitos que mais assombram as mulheres: Menopausa: ser sinônimo de mulher assexuada.
A menopausa tem significado próprio para cada mulher, mas para a maioria é símbolo de envelhecimento, muitas pensam que é o fim de todas as sensações e experiências sexuais. O que mais assusta grande parte das mulheres é que elas acreditam que com a menopausa a vida sexual termina. Algumas mudanças físicas somadas à desinformação e a falta de conhecimentos destas mulheres geram grandes sofrimentos.
Esse desconhecimento, muitas vezes quase total, de sua própria dinâmica física, acaba por gerar sentimentos de inferioridade, angústia, depressão, insegurança, incerteza, e até mesmo, de inutilidade, e o que é pior: crença nas inverdades que existem ao seu redor.Muitas mulheres sofrem só em pensar que um dia chegarão à menopausa e sofrem ainda mais quando os primeiros indícios dela começam a se fazer presentes, pois suas crenças já predispõem seu organismo a uma reação esperada de que não mais serão atraentes ou desejadas.
Os efeitos da menopausa variam de mulher para mulher, conforme a vida que cada uma levou, mas isso não é motivo para desespero. A menopausa é a cessação da produção dos hormônios de reprodução e conseqüentemente o fim da procriação, um dos papéis femininos mais importantes e gratificantes. Como já foi comentado acima, a crença no fim da sexualidade com a menopausa está ligada especialmente ao papel social da mulher, que ao longo da história da humanidade, era tão e exclusivamente o de procriadora. No entanto, mulheres que possuem uma percepção mais ampla de si mesmas e da relação que têm com o mundo podem vivenciar esta fase sem grandes problemas.
O envelhecimento e as alterações são percebidos, mas a mulher procura continuar seu processo de vida, buscando cuidar-se, continuar sendo útil e viver essa nova fase, pois mesmo que organicamente, com a velhice venha a perder algumas capacidades físicas, não perde a capacidade de sonhar, desejar, e principalmente desejar viver. Poder desejar, é o que nos distingue das outras espécies. Este desejo possibilita o enfrentamento com a idéia de que somos seres mortais. E, por conseguinte o nosso desejo sexual só se extingue com a morte.

Por tudo o que foi exposto, temos que o que a mulher idosa precisa entender é que a idade não deve ser temida como fator de redução do prazer sexual. É inegável que com o passar dos anos ocorreram alterações qualitativas e quantitativas na resposta sexual, mas essas mudanças não estão dissociadas do contexto geral de outros aspectos orgânicos que também se alteram com a idade, como, por exemplo, a locomoção, a digestão, a visão ou a circulação.
Por essa razão, a idade não pode ser considerada um fator central e determinante nos problemas sexuais. Desse modo, o organismo é como um todo que se modifica com a idade e, nesse contexto, também a sexualidade se transforma, mas não se torna menos agradável. O desconhecimento é responsável pelo fato de as pessoas manterem uma expectativa do padrão sexual da juventude, incompatível com as alterações fisiológicas da resposta sexual, que se iniciam a partir dos 40 anos de idade.

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