24/06/2009

A INFIDELIDADE CONJUGAL E A ALIENAÇÃO PARENTAL





Na família, os pais deixam suas marcas nos filhos, inscrevem e introjetam em seus corpos e em suas almas, estilos de vida, ambientação, valores, projetos e às vezes também sintomas indesejáveis. De modo construtivo, o pai marca profundamente seu filho, com sua palavra, com seu olhar, com seu reconhecimento, com seu elogio, com seu cuidado, com seu amor, com seu interesse pelos projetos presentes e futuros, com sua ternura, com sua firmeza, com sua capacidade de dizer sim e, sobretudo, de dizer não quando se fizer necessário. Todo ser humano de forma indiscriminada precisa reconhecer-se nos pais e ser por eles reconhecido. Todo filho precisa, necessita de braços e abraços, braços que lhes amparem e abraços de acolhimento, precisa de direcionamentos, de modelos que lhe sirvam e funcionem como espelhos, para sentir-se capaz de enfrentar o mundo, para que não lhe congele no peito a capacidade de amar os filhos que virá a ter amanhã.

Normalmente as pessoas que têm casos extraconjugais pensam que estão traindo apenas o cônjuge, porém, para os filhos, essa é uma situação à qual jamais imaginariam, um dia, passar. É uma traição à família que compromete a sua estabilidade idealizada. Quando a infidelidade leva à separação, esta desorienta e desorganiza uma família. Muitas vezes, os filhos sentem-se culpados pela separação dos pais e impotentes diante da situação.

O impacto da separação dos pais pode por vezes assumir proporções gigantescas o pior de tudo é quando um filho compartilha o segredo da infidelidade com um dos genitores; essa é uma situação parecida com o incesto, o filho fica preso no segredo sexual e dividido em sua lealdade. Como resposta a essa situação desorientadora e desesperadora, os filhos desenvolvem sintomas, como agressividade, ansiedade, baixo rendimento escolar, possessividade, ciúmes, passando inclusive a dissimular a verdade, entre outros comportamentos.

Esses sintomas também podem ser de forma inconsciente, uma tentativa de aproximar os pais ou adiar a discussão em torno da separação. E, quando isso não funciona, muitos se afastam dos pais buscando algum tipo de apoio fora da família, normalmente em grupos de usuários de drogas e com comportamentos anti-sociais.

A “tragédia” de um divórcio ou a simples separação não tem uma idade específica para se dizer que seja a pior fase para os pais se separar, mas, segundo pesquisas, a adolescência parece ser uma fase especialmente delicada, pois os jovens estão se formando e se transformando sexualmente e pensar que os pais não têm controle sobre sua sexualidade e sentimentos, pode ser de um lado muito assustador, como também estimulador e permissivo. Esta é apenas uma das conseqüências que um divórcio pode vir a ocasionar aos filhos.

Um outra situação desorientadora ocorre, em muitas famílias, depois que o cônjuge infiel sai de casa. Os filhos que acabaram ficando do lado do traído se vêem envolvidos pelas artimanhas que o mesmo faz para trazer aquele de volta para casa criando, portanto uma verdadeira aliança, o que vem ocasionando o que alguns definem como “síndrome da alienação parental” e outros definem como “implantação de falsas memórias”.

A síndrome da alienação parental ocorre quando um dos genitores, normalmente a mãe, já que a esta ainda cabe a guarda dos filhos, programa uma criança para que odeie o genitor sem qualquer justificativa. Trata-se de verdadeira campanha para desmoralizar e desqualificar o mesmo. O filho é então utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro. A mãe monitora o tempo do filho com o genitor e também os seus sentimentos para com ele. Fazendo- lhes verdadeiras cobranças e apelos absurdos.

E nesta alienação e desorganização sentimental, os filhos se vêem em situações tão conflituosas quanto confusas, situações ambivalentes e desorganizadoras sendo, portanto os que mais sofrem. Muitos filhos chegam a nossos consultórios trazendo um verdadeiro pavor em repetir futuramente erros dos pais, outros, entretanto carregam um verdadeiro sentimento de culpa, culpa por não ter salvado o casamento dos pais!

Tentamos enquanto terapeutas de casais e famílias de alguma forma esclarecê-los que o resultado do que ficou da infidelidade, do divórcio e desse fogo cruzado poderá vir a repercutir mais tarde em suas vidas, salientando que tudo irá depender do modelo que estes escolheram para seguir. Se o modelo do infiel ou do traído. Salientamos ainda e enfatizamos que existem exceções, que são os filhos que escolhem que não querem ser como ninguém dessa “tragédia”. Filhos que escolhem ser e fazer diferente e não repetir o modelo que lhe foi passado! Sobretudo não imputando aos filhos que virá a ter esta sensação de fracasso, de impotência, poupando-os deste sentimento de culpa!

Concluindo temos que: A história da família deve ser do conhecimento e interesse de todos. Cabe aos pais passarem as informações necessárias aos filhos e ajudá-los a passarem por essa fase de transição e mudança de forma esclarecedora. Isso é necessário para que os filhos possam compreender o que aconteceu e fazer contato com as dores de forma aberta e clara, para mais tarde poder aceitar e perdoar os pais. O divórcio e a infidelidade são situações que põem em xeque todas as fantasias do amar eterno, do casar e constituir uma família e ser feliz para sempre. Sabemos que “Não existe filho alegre pelo fato dos pais estarem separados, como também não podemos generalizar que todo filho triste deve-se a separação dos pais! Existe filho triste de pais que brigam de pais que disputam e vivem em um eterno fogo cruzado usando destes filhos para atingir seu alvo.”

Quanto ao parceiro responsável pela dissolução do relacionamento este pode também querer perdoar-se pelo sofrimento que causou aos filhos e trabalhar esta culpa. Isso pode tornar-se uma tarefa fácil se ele puder ensiná-los, pelo seu próprio exemplo, que duas pessoas que se amam podem cometer erros, assumir a responsabilidade deles e trabalhar com o objetivo de renovar sua vida em conjunto e, sobretudo mostrando para estes filhos que seu relacionamento conjugal não deu certo, mas isto em nenhuma hipótese pode se estender para seu relacionamento de pais e filhos cabendo-lhes ainda investir o máximo possível para que os filhos sintam que não desistiu deles!

No tocante ao segundo aspecto abordado neste texto referente à síndrome da alienação parental é preciso que os genitores tenham sensibilidade e discernimento de que quando um casamento chega ao fim, à separação é entre eles. Separar a criança do pai ou da mãe é puni-la por algo que ela não tem a menor culpa!

3 comentários:

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  2. Excelente texto. Seria muito pertinente que todos os casais que se encontram separados e que tenham filhos, pudessem ter a oportunidade de ler este artigo esclarecedor.

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